Pra quem tiver paciência para ler...

... e nada mais interessante a fazer.

Hoje vou contar pra vocês a novela das unhas da noiva. Como vocês sabem, fechei o dia de noiva com "tudo que tinha direito" [.:. http://www.fotolog.com.br/talitafelipe/59001153 .:.]. E, claro, o "tudo que tinha direito" incluía as unhas, além de spa para os pés e mais várias coisas das quais nunca tinha ouvido falar até aquele dia. E como também já contei aqui, o dia de noiva, na verdade, é um ritual que dura três dias. O primeiro deles é dedicado à depilação, massagens, relaxamentos, cremes e óleos mil, banho disso, banho daquilo. O segundo dia é dedicado às unhas. Hã? Eu vou fazer a unha um dia antes do casamento? Definitivamente, aquela idéia não me agradava e tentei, a todo custo, convencer a dona do salão a fazer minha unha somente no sábado, dia do casamento. Enfim, depois de alguns minutos no telefone, resolvi que iria fazer as unhas naquela sexta de manhã. Fui a contragosto, na certeza absoluta de que elas teriam que refazer todo o trabalho no sábado. Pois bem, chegando lá, falei como queria minhas unhas da mão. E como resposta, ouvi um: – Não trabalhamos com esse tipo de unha aqui, só fazemos unha de noiva no estilo francesinha. Hã? Poxa, poxa! Eu só iria casar uma vez na vida e sempre quis um strass em cada unha, no dia do casamento, pra fugir do convencional. Depois desse balde de água fria – balde não, copo, afinal não era nada tão horrível assim e nunca fui de fazer drama por pouca coisa – fiquei meio amuada, mas continuei lá, fazendo o tal spa para os pés. Cerca de meia hora depois, a dona do salão chega de mansinho e fala no meu ouvido: – Achamos os strass que você queria. E são Swarovski! Você é uma noiva de sorte! Bom, noiva de sorte eu sou, realmente, afinal meu casamento foi todo abençoado desde sempre e tenho o melhor noivo do mundo todo. Mas, eu lá queria saber qual era a ‘raça’ do cristal, eu só queria os strass nas minhas unhas. Continuando, a dona do salão fez o pedido dos cristais na loja e iria recebê-los no dia seguinte, sábado. Então, combinamos que deixaríamos a unha no ponto de colocar apenas os cristais no dia seguinte. Voltei pra casa já mais animadinha, mas ainda achando que elas teriam que repintar tudo, pois o esmalte perderia o brilho ou, pior, eu lascaria a unha em algum momento das longas 40h que ainda me separavam da hora H. Dito e feito. Na volta pra casa, parei num sinal. Gosto de ficar observando o movimento da rua enquanto o sinal passa do vermelho para o verde. Foi então que vi uma senhora, que deveria ter seus 50 anos, cambaleando na calçada e conseguindo, a muito custo, se encostar em uma árvore. Parei o carro e desci. A senhora, então, caiu com a cabeça dentro do canteiro da árvore. O rosto dela ficou coberto de areia. E, claro, eu tinha que tirá-la dali, pelo menos o rosto dela precisava sair de dentro da areia. Tentei conversar com a senhora, perguntar o que havia, mas ela estava numa espécie de transe, estado alfa, em que só conseguia gemer e mexer os braços nervosamente. Procurei algum documento nos bolsos dela. Nada. Somente um celular. Ela conseguiu balbuciar “liga, casa”. Mas na lista telefônica dela não havia nada gravado como “casa”. Li todos os nomes da lista, de um por um e quando cheguei num certo nome, ela mexeu os braços e quis se levantar. Falei então que ligaria pra tal pessoa, só não sabia o que eu diria. Nunca vivi uma situação como essa, não sabia quem estava do outro lado da linha, nem sabia ao certo o que estava acontecendo. O fato é que consegui que a senhora se acalmasse um pouco, perguntei se ela sentia dor e ela levou as duas mãos até o peito e ficou massageando o tórax, como se a dor fosse bem difusa. Eu, na minha santa ignorância para assuntos médicos, imaginei que ela estava tendo um enfarte ou AVC (porque um lado do corpo dela estava meio flácido). Achei que a melhor coisa a fazer era deixar a mulher o mais imóvel possível e chamar socorro. O problema era esse: o socorro. Santo Deus, ser pobre no Brasil não é apenas triste, é quase um castigo! E antes que os imbecis de plantão venham me jogar pedras dizendo que cuspo no prato em que comi (como já fizeram em outras oportunidades), explico. Não estou denegrindo o país onde nasci, cresci e onde aprendi tudo que sei. Mas não sou tola a ponto de não enxergar problemas gravíssimos, como a saúde pública no Brasil. Só Deus sabe como foi agoniante ficar com aquela senhora ali, deitada na calçada quente, com os cabelos sujos de areia, sentindo fortes dores e, quem sabe, podendo morrer ali na minha frente. Trinta minutos depois da primeira chamada para o socorro (TRINTA MINUTOS!!!), liguei novamente. Nesse momento, um policial viu a cena e se aproximou de mim. Pedi, então, que ele ligasse para o socorro antes que a senhora morresse ali na calçada. Ele ligou e, ao desligar, me disse: – Os socorristas acharam que era trote, mas agora que liguei, estão vindo.


On March 21 2010 Edit






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  • amore

    Who do you love? With whom do you want to live? Who do you want to kiss? To love? We want to see; show us now! - A quién usted ama? Con quien quiere usted gusta de vivir? A quién quiere usted besar? Amar? Queremos ver; muéstrenos ahora! - Quem você ama? Com quem você quer viver? Quem você quer beijar? Amar? Queremos ver; mostre-nos agora!


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