Pessoas: preciso senti-las comigo
Está garoando lá fora. Os vidros começam a ficar embaçados e transformam os pontos luminosos na noite escura em borrões mágicos. Está tudo silencioso e vazio. Ninguém mandou ficar em casa sozinha. Devia ter aceitado e saído com os outros. Agora não adianta reclamar. A umidade penetra pelas mangas do meu suéter, e eu tremo.
A última visita que eu quereria receber era este tédio lancinante. Ninguém está online no MSN. Nada para fazer. Nada para assistir. Procuro links antigos nos Favoritos. Revirar a internet por qualquer besteira, ao contrário do seu objetivo, só me deixa mais entediada. Alguns joguinhos bobos podem me ajudar a passar o tempo... Que nada. Suspiro, cansada. Isso não é nada divertido. Vamos, alguém venha falar comigo.
Olho fixamente para o canto inferior direito da tela do computador, esperando a janelinha subir, e a oportunidade de uma conversa aparecer. Nem pisco. O relógio ali marca a passagem de um minuto. Pisco e respiro longamente. Não desvio o olhar. Outro minuto. Bufo. Abro o orkut. Nada, NADA novo. Meu tédio é grande demais para me motivar a fazer qualquer coisa. Largo-me sobre o teclado, derrotada. P*ta, mas não tem NADA que preste aqui. Gemo, frustrada, e finjo um choro.
As gotas d'água batendo nas janelas não de causam sono - do contrário, eu já teria ido dormir. Meus braços ainda não dóem, então posso continuar aqui mais um pouco. Ouço pelos fones aquele barulho infernal de quando o espaço para digitação acabou, mas você continua escrevendo. Rosno e levanto a cabeça. Silêncio de novo.
Decido fazer uma limpeza nos favoritos. Certamente haverá coisas interessantes lá. Blogs e sites relacionandos a outros blogs... Sites femininos... Sites de revistas... Sites de emoticons e outras bobagens... Sites sobre filmes... Páginas e páginas de videos do You Tube... Jogos online... O blog dele... Google... Espere. O blog dele? Uma pontada de curiosidade se aviva dentro de mim e bloqueia completamente meu raciocínio lógico. O que será que ele escreveu? O que ele está sentindo? Clico no link.
Uma vozinha impertinente começa a batucar. Isso não é saudável. Não leia. É passado. Não leia. Mas eu obedeço? Nãão. Eu vou lá. E leio. E todas aquelas palavras de dor voltam como uma gigantesca onda me engolindo sem piedade. Todo o sofrimento contido em simples letras e letras e pontos e mais letras; todas as palavras e momentos compartilhados juntos, jogados pelo ralo e agora retornando sem pedir licença. Engolfando-me como numa vingança não pretendida. Meu peito parece ser apunhalado por cada uma das ideias naquele texto - ideias de dor e dor e sofrimento e fim. Mas o fim já acontecera. Não havia mais nada. Absolutamente nada. E aquelas palavras não poderiam me mudar e moldar para ele, não mais. Eu já fora forjada uma vez.
E então as lágrimas rolam pelo meu rosto. E eu sinto a dor que ele sentia ao escrever tudo aquilo. E eu vejo a ironia, pois aquilo é passado, aquilo já não é verdade, mas do mesmo modo dói em mim. Eu já fui dele, e ele já foi meu. Contudo, meu coração é de outro agora - e isso não mudará. Mas dói em mim.
Eu fecho os olhos com força. Fecho a página da internet. Deixo as lágrimas caírem. Isso não era saudável, viu? Meu peito lateja, e eu grito pelo dono do meu coração. Sinto-me fraca, preciso de alguém agora, um abraço para me manter inteira. Alguém POR FAVOR me diga que ele não sente mais NADA disso! Eu sou a responsável por todas aquelas palavras e falsas esperanças. E meu peito dói.
E quem pode responder fica online. Ele - o das palavras dolorosas. E eu imploro sua negação. Ele nega seus antigos escritos. E, sorrindo, eu sinto uma leveza: ele não me ama. Nem eu o amo.
E desejo estar com o dono do meu coração.
[excursão para Porto Alegre: Bruna, Siqueira, Lully, Renan, eu e o vampiro que roubou meu coração
[heart robbery is not crime - it is salvation
On May 30 2009
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Porto Alegre, mas também Londres! *-*,
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