Quem nunca teve um amor proibido?
Parte 3
Meu maior medo então era ser rejeitado. Gritar bem alto que o mundo fosse pro inferno, puxá-la e quando estivesse bem perto de tê-la finalmente pra mim, que um sentimento de repulsa surgisse em seu rosto, a pondo em pé e noticiando ao mesmo mundo que eu havia mandado para o inferno o que eu estava tentando fazer.
Ela era um anjo, mas eu sei que brincava comigo.
Seu objetivo era me destruir. Por dentro e por fora.
E como eu gostava... Como gostava...
Mais um filme aleatório e quando dou por mim a enxergo dormindo.
Os óculos já meio caídos, olhos fechados e um beicinho involuntário figurando na boca.
Retirei suas lentes, afastei os cachos para trás das orelhas com carinho e fiquei por um período não identificado observando seu peito subindo e descendo numa respiração tranqüila e contínua.
Ela vestia um pijama de alças finas, estampado com flores suaves, num tom de rosa que me lembro como se fosse ontem estar a 10 cm de meus olhos.
Continuava expelindo ondas e mais ondas de um calor magnético que me atraia sem querer, mas querendo, pra mais perto dela. E mais perto. E um pouco mais...
Eu lhe dei um beijo.
O melhor dos beijos que já havia dado em toda a minha vida. E que provavelmente continuará sendo o melhor até o final dela.
Num primeiro momento, eu estava beijando sozinho. Acariciando os lábios dela com os meus, sem reações, espantos ou prazer identificados. Mas pouco depois estava sendo beijado de volta, com uma intensidade impressionante, algo como porque demorou tanto, pelo amor de seu pai?.
Meu corpo procurou o dela e automaticamente depois de nossas bocas terem se encontrado, estávamos interligados até os pés.
Eu acariciava suas costas, fazendo seu perfume evaporar pelo ar, enquanto ela me arranhava fraquinho o pescoço, os braços, os lados do tronco.
Que ela me arrancasse sangue nas unhas, eu não me importava mais com nada a não ser tornar aquele simples beijo a experiência mais duradoura quanto possível.
Afinal eu sabia que quando nos separássemos, nunca mais iríamos nos unir novamente.
Todos os sentidos estavam aguçados para redigir poemas eternos no meu coração sobre aquele amor carnal que explodia minha concepção desamparada de como era produzido um sentimento real.
Eu amei aquela garota, aquela mulher, aquela deusa por alguns minutos. E só...
Com a respiração irregular, como se saídos de um esporte radical, nos afastamos.
Os seus pequenos olhos pregados nos meus num orgasmo irreal; nada mais importava nesse mundo destroçado. Que tudo realmente fosse pro inferno, pois podia. Naquele exato momento, podia com prazer.
Me levantei, calcei meus sapatos e virei pra sair pela porta.
Ela veio e me abraçou por trás.
Nós dois chorávamos.
"Eu te amo."
"Eu sei."
[[...]]
Caio é Caio sempre.
Recordar é viver...
iTunes: Bon Jovi - Till We Ain't Strangers Anymore
iPhoto: Porque eu cansei de fazer fotos iguais...
C-ya.
On February 28 2009
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