VAMOS DANÇAR?
As tristezas da vida cauterizaram o romântico, então nos achamos para socorrer o coração da aridez.
São beijos flutuantes como nas núvens, nos sonhos, mas que logo os olhos se abrem, pousamos os pés no chão e vamos embora pela estrada, com uma vara de pescar sem balde
Estamos bem, somos jovens, mas há um cravo secando no chão. Numa mão um enlatado de carinho. No sangue uma droga nos alucina e rimos mascando vidro. Vejo nos bares, cinemas, toda essa felicidade cujos dentes a mostra mascam vidro e engolem sangue, mas todos devem rir até a morte. E as funerárias maquiam o cadáver para que ele não pareça cadáver. Tudo tão feliz, mas as Pollyanas de casca maquiada estão vazando seu suco que escorre nos bueiros enquanto por dentro apenas bagaço
Nas nossas bocas que beijam, e depois secam, abre-se a janela para o deserto e meus olhos ficam baços, cansados.
Velhas gralhas (de olhos quebradiços e penas desengonçadas) no chão ciscam tesouros e amargam o sabor de uma ilusão qualquer, pra suportar e continuar vivendo. Quando se entregam é como um pedido de socorro. Mas quando eu volto pra casa, o não-sei-o-que-está-havendo me deixa pensando que eu escapei, surtei, deixei uma válvula descomprimindo sem querer.
Não há o que temer, esse é temporário. Um dia, desce do ônibus a mulher sorrindo que vem de longe e seus olhos vão brilhar plenos. Nesse dia eu volto aqui e conto sobre o novo capítulo.
On March 19 2010
Edit