Cliente: Borelli
Um pouco da minha história 23
- continuação -
Como a sala ajudou a muita gente, resolve-se criar um curso para ampliar essa atividade. Eu fora chamado para a coordenação, no total 7 pessoas. Ao longo desse tempo eu descobri duas coisas ao meu respeito: Eu não aceito autoridade intelectual, que não está acompanhada de autoridade moral e que eu tinha uma vaidade muito acerbada. Havia uma mulher que era muito parecida comigo, e a gente começou entrar em rota de colisão. Hoje eu nutro uma gratidão profunda por tudo que aconteceu, porque eu aprendi com essa disputa de egos. Ela tinha a mesma bagagam de conhecimento, o resto do grupo não, a maioria somente conhecia superficialmente a obra de Kardec.
Tudo isso culminou em duas situações desastrosas (pelo menos assim as vi na época), na mesma semana: a primeira foi durante uma palestra. No meio da palestra essa mulher me fez críticas severas na frente de todo mundo. Um durissimo golpe na minha vaidade. Fiquei puto, magoado, e meu orgulho chegou a ser profundamente ferido; mas como eu estava na frente de uma platéia não podia reagir.
Na outra situação, tivemos que apresentar o trabalho da "sala de conversa" para a diretoria da casa. Todo grupo foi de mal a pior, inclusive eu. Por um lado era até esperado, porque o coordenador da atividade (que era um dos diretores) tinha um método meio "inusitado" de fazer as coisas. Seus métodos podiam ser questionadas. Quando a outra diretora (esposa dele) arrasou o grupo, eu a enfrentei, tomando a frente para defender o grupo, porque havia ali pessoas, que acusariam muito mais o golpe. Ela sempre se mostrava muito boazinha e amorosa e ela foi de uma agressividade espantosa. Nossa, nunca havia visto essa sua cara até então. No íntimo eu guardo a certeza, de que havia alguma outra coisa por trás de tudo isso. (crise de casal) Fato é que não aguentei. Foi quase que instintivo: me sacrifiquei pelo grupo. Houve uma discussão intelectual entre ela e eu na frente de todos. Ela quis exercer autoridade intelectual e eu consegui lhe dei um cheque-mate na argumentação. Isso é mortal para quem se acha autoridade absoluta, eu sabia que haveria consequências.
Claro que é muito mais fácil detectar prepotência no outro, o prepotente difícilmente se reconhece como tal. Se eu não estou 100% curado desse mal ainda, com certeza já melhorei muito, porque eu comecei a me trabalhar nesse ponto. Essas duas situações dolorosas me abriram uma nova consciência. A vida é muito paciente, ela não tem pressa para nos mudar; mas cada vez em que insistimos em ser teimosos nos defeitos, ela nos da uma rasteira. Claro que isso é extremamente doloroso na hora em que passamos por isso, mas na verdade deveriamos aprender a agradecer a Deus justamente essas horas, porque são elas nos fazem progredir mais rapidamente. Mas isso é uma escolha, muitas pessoas preferem escolher a vitimação e ficar estacionado na mágoa e na auto-pena pelo resto da vida. Há quem escolhe morrer muito antes da sua morte física. Essa é na minha opinião a pior morte que existe.
Esse conflito aconteceu num domingo e na 2a-feira o diretor me ligou, disse que precisava conversar comigo depois com calma, explicando os motivos, mas que "queria me liberar da obrigação de comparecer na coordenação da sala nas 5a-feiras". Traduzindo: eu fui expulso do grupo...rss
- a continuar -
On January 28 2012
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