Male - single - 14/12
Goldcam member since 26/03/2007
Quem disse que perguntas precisam de respostas? Começo de banda é tudo igual, as coisas vão acontecendo espontaneamente aos trancos e barrancos. Uma pessoa tem a idéia de chamar um amigo, que traz outro, aparece o primo de alguém, enfim... Com o Que Fim Levou Valdir? não foi diferente. Aliás, isso é até estranho porque a similaridade do grupo com qualquer outro pára por aí. Esses tempos vi um velho e conhecido crítico musical defender sua teoria de que somente ao olhar a foto de uma banda ele já sacava se ela era boa, ruim, ou ainda, a linha que ela seguia... Coitado, nunca cruzou o caminho de Rodrigo Pedreira (voz), Julio Ramos (guitarra/voz), Lucas Mendes (guitarra), Roberto Inácio (bateria) e Evertones (baixo/voz) que recentemente deixou o grupo, no momento seguindo sem um baixista fixo. Ao olhar para um retrato deles, o que se vê são cinco elementos que não demonstram seguir tendências de moda ou uma inclinação que indique qual o gênero que seguem. E ao ouvir o som tem-se a confirmação dos indícios do critério visual: um enigma tal qual a indagação que compõe o nome da banda. Formado há quatro anos em São Paulo, depois de um CD-demo (em CD-R) distribuído a R$ 3, o QFLV? debutou em CD com este auto-intitulado. Lançado numa parceria entre a Balboa Discos e a Elementar Records, a estréia vem com 10 faixas cavalares. Se inicialmente o quinteto tinha uma orientação mais hardcore, os anos, experiência nos palcos e influências pessoais foram amadurecendo, rendendo uma sonoridade própria. Estão ali, mesmo que implicitamente, as referências vindas do hardcore nacional (Mukeka di Rato, Discarga e Paura), mas o metal mundial também, seja o que rompeu barreiras um dia (Pantera) ou aquele que o renova atualmente (Atreyu e Trivium). Ao colocar o CD para tocar há uma típica introdução instrumental que abre os discos de metal, mas sua seqüência, Um Minuto e Pouco (literalmente sua duração), começa a entortar a cabeça do ouvinte. Afinação baixa, velocidade e alternância no andamento fazem parte da base, assim como conforme diz o encarte os berros/gritos/urros de Rodrigo Pedreira ao colocar os demônios pra fora. As letras são simples palavras, como é repetido na empolgante Conceitos Incertos, sem rimas prontas, mas que misturadas formam questionamentos, críticas ou até devaneios pessoais. Partindo disso, e em meio a bases cadenciadas e/ou velozes com econômicos e precisos solos de guitarra, nascem Libertação, A Queda e Ser Você. Peculiaridades e variações de levadas podem ser encontradas em canções como Bushidiot e Depoimentos a Um Psiquiatra. Assim como em Pão e Circo, porém nessa eles mostram similaridades a nomes como Sepultura, Krisiun e Claustrofobia, então nada de retidão: a ginga brasileira natural confronta com o metal extremo e garante bom resultado. O disco encerra com uma bonita calmaria instrumental tão intrigante quanto seu nome (A Palavra É Dezenove). Ela age como aqueles questionamentos que são lançados ao ar e por lá permanecem, afinal de contas nem toda pergunta precisa de uma resposta, tal qual Que Fim Levou Valdir?. Fim? Longe disso, eles estão só começando! Ricardo Tibiu Maio/2008