O AMARGO SANTO DA PURIFICAÇÃO

NO PROGRAMA BR DE CULTURA

O espetáculo “O Amargo Santo da Purificação – Uma Visão Alegórica e Barroca da Vida, Paixão e Morte do Revolucionário Carlos Marighella”, criação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz para Teatro de Rua, será encenado, nos meses de março a abril, em doze cidades das regiões sul e sudeste com o patrocínio da PETROBRAS, através da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura. O Projeto, selecionado pelo Programa BR de Cultura 2009/2010, abrangerá 12 cidades: Florianópolis, Blumenau, Joinville, Curitiba, Londrina, Ponta Grossa, São Paulo, Campinas, São José do Rio Preto, Uberlândia, Belo Horizonte e Ipatinga. Em cada localidade, além da apresentação do espetáculo do grupo, será realizada a palestra “Ói Nóis Aqui Traveiz – 30 anos: O Teatro de Rua no Brasil” e o workshop “Teatro de Rua – Uma Vivência com a Tribo”. Todas as atividades serão gratuitas e abertas ao público interessado.

Para o seu novo trabalho de pesquisa de teatro de rua a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre, escolheu a história do revolucionário brasileiro Carlos Marighella, que viveu e morreu durante períodos críticos da história contemporânea do nosso país, sendo protagonista na luta contra as ditaduras do Estado Novo e do Regime Militar. A encenação coletiva para Teatro de Rua conta a história de um herói popular que os setores dominantes tentaram banir da cena nacional durante décadas. Na seqüência de cenas o público assiste momentos importantes desta trajetória: origens na Bahia, juventude, poesia, ditadura do Estado Novo, resistência, prisão, Democracia, Constituinte, clandestinidade, Ditadura Militar, luta armada, morte em emboscada e o resgate histórico, buscando um retrato humano do que foi o Brasil no século XX. É uma história de coragem e ousadia, perseverança e firmeza em todas as convicções. A coerência dos ideais socialistas atravessando uma vida generosa e combatente, de ponta a ponta. Marighella não abdicou ao direito de sonhar com um mundo livre de todas as opressões. Viveu, lutou e morreu por esse sonho.

A dramaturgia elaborada pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz parte dos poemas escritos por Carlos Marighella que transformados em canções são o fio condutor da narrativa. Utilizando a plasticidade das máscaras, de elementos da cultura afro-brasileira e figurinos com fortes signos, a encenação cria uma fusão do ritual com o teatro dança. Através de uma estética “glauberiana”, o Ói Nóis Aqui Traveiz traz para as ruas das cidades uma abordagem épica das aspirações de liberdade e justiça do povo brasileiro.

A Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz surgiu em 1978 com uma proposta centrada no contato direto entre atores e espectadores, transcendendo a clássica divisão palco/platéia. O grupo desenvolve um trabalho contínuo de pesquisa em relação à linguagem cênica e ao processo criativo do ator. A história da Tribo sempre se pautou pela afirmação da diferença, da independência em relação ao mercado e às estruturas de poder, com encenações caracterizadas pela ousadia e liberdade criativa. As suas três principais vertentes são: o Teatro de Rua, nascido das manifestações políticas - de linguagem popular e intervenção direta no cotidiano da cidade - o Teatro de Vivência, no sentido de experiência partilhada, em que o espectador torna-se participante da cena – e o trabalho Artístico Pedagógico, desenvolvido junto à comunidade local. Com vários espetáculos importantes premiados pela crítica como “Aos Que Virão Depois de Nós Kassandra In Process”, “A Missão Lembrança de Uma Revolução”, “A Saga de Canudos”, “A Exceção e a Regra”, “Antígona Ritos de Paixão e Morte”, entre outros.

Vinculado às raízes populares ou partindo de experiências mais contemporâneas, o Teatro de Rua é uma das manifestações mais vivas e significativas das artes cênicas no Brasil de hoje. A experiência da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz está inserida neste cenário nacional. Os espetáculos de Teatro de Rua atingem um grande público por apresentação, repercutindo principalmente em quem não tem acesso às salas de espetáculos, democratizando o espaço da arte.





On February 08 2010 Edit






oinois

unknown - 31/03/1978 (33 years old)
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Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brazil




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