CINEMA RIAN - 1981
Esta semana "O Globo" publicou esta fotografia dos últimos tempos do saudoso Cinema Rian.
Mesmo sendo de 1981, período que teoricamente não seria abordado no "Saudades do Rio", ela é postada hoje pela grande saudade do Rian.
Ficava na Avenida Atlântica nº 2964, entre as ruas Constante Ramos e Barão de Ipanema, e era um dos mais simpáticos de Copacabana.
Funcionou entre 28/11/1942 e 16/12/1983, tendo tido 1130 lugares.
Palco de vários festivais internacionais de cinema, foi demolido para, em seu lugar, ser erguido o luxuoso Hotel Pestana.
Seu nome tem origem no da famosa Nair de Teffé, esposa do Marechal Hermes da Fonseca, escrito ao contrário (nair = rian).
Carlos Drummond de Andrade assim escreveu à época do fim do Rian:
"Esse Rio de Janeiro! O homem passou em frente ao Cinema Rian, na Avenida Atlântica, e não viu o Cinema Rian. Em seu lugar havia um canteiro de obras. Na Avenida Copacabana, no Posto 6, o homem passou pela Cinema Caruso. Não havia Caruso. Havia um negro buraco, à espera do canteiro de obras. Aí alguém lhe disse: "O banco comprou". Assim, pois, desaparecem os cinemas, depois de terem desaparecido, ou quase, os freqüentadores de cinema. Estes ficaram em casa, vendo figuras pela televisão, primeiro porque é mais seguro, evita assaltos; segundo porque é mais barato, e terceiro, porque o cinema convencional saiu de moda (...)".
As duas bilheterias do Rian ficavam na calçada da Avenida Atlântica.
Por duas entradas, ao lado das bilheterias, chegava-se ao saguão onde ficava o porteiro (naquele tempo menores de 14 anos não podiam entrar sozinhos nos cinemas. Tínhamos que esperar alguém com boa vontade que acedesse em nos acompanhar quando chegássemos ao porteiro).
Após entregar o "ticket" de entrada, que era depositado numa urna, mostrar a carteirinha de estudante (falsificada se o filme fosse impróprio para a nossa idade) e pegar o folheto com a programação da semana do circuito Severiano Ribeiro, chegava-se a um espaçoso "hall" atapetado, onde havia um bebedouro de água gelada, sofás e uma "bombonnière".
Duas portas davam acesso à sala de projeção, no nível da platéia.
Do fundo da platéia, uma escada que se bifurcava em duas, dava acesso ao balcão, meu lugar predileto para assistir aos filmes.
Após a sessão, as saídas, nas laterais da tela, davam para a Rua Domingos Ferreira.
Chegando ali, se fosse à tarde, era certa uma visita ao Bob´s, então recém-inaugurado.
Se fosse à noite, uma "pizza" no Caravelle, ambos na própria Rua Domingos Ferreira.
Bons tempos!
On March 19 2010
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