My sunshine
Carolina Halliwell
Beloved Daughter and Sister
Forever Our Sunshine
R.I.P
with love Lilly, Xena & Cosmo.
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Era uma tarde comum em um setembro calorento na Universidade Rural, onde nesta época cursava meados da minha graduação medicina veterinária. Quando saí de casa, sob o pretexto de conseguir matéria de uma aula perdida, não imaginava o que iria me acontecer. Na casa do colega de aula, era mantido um canil de beagles, cãezinhos adoráveis a qual eu já havia afagado e brincado diversas vezes antes. Porém naquela tarde, dois cães de uma raça diversa abrigavam um dos boxes. Pelagem negra com marcas cor de canela, patas grandes que indicavam o vigor que teriam quando adultos, e mesmo sendo apenas filhotinhos de três meses, já superavam em porte alguns dos beagles adultos. O que me atraiu aquele boxe até hoje eu não sei, só sei que quando meus olhos fitaram pela primeira vez aqueles meigos olhos castanhos eu soube que mais nada podia fazer, ela já era dona do meu coração.
Nessa mesma tarde levei-a pra casa, no pedigree ostentando o pomposo nome de Cessy. Hum... não me agradou muito, e no mesmo dia foi batizada de Carolina. A minha Carol, Carolzinha ou Calu, apelidos que ela ganhou da família e amigos. Não que o nome foi aceito sem protestos, uma rottweiler atendendo por um nome assim tão meigo? Ela seria uma cadela enorme e com porte que assustará muitos, eram os comentários. Ignorei-os, não me importava com que os outros veriam, para mim ela seria sempre aquele bebê que adormeceu no meu colo em sua primeira noite na nova casa.
Quando Carol entrou na minha vida, eu sofria ainda com o rompimento do meu noivado e não foram poucas as vezes em que sua pelagem macia foi o destino de minhas lágrimas. E isso não foi só nessa época, até hoje quando tenho um problema é pendurada em seu pescoço que consigo desabafar meu desalento. Mas voltemos aos dias de filhote, onde aquela espoleta de olhinhos doces revirou minha vida pelo avesso. Foram sapatos, sofás, bichos de pelúcia, tapetes, almofadas e tantos outros objetos vítimas dos dentes nervosos da criaturinha endiabrada. Sem contar o bendito xixi que não havia meios de aprender que o pé da minha cama não era o lugar certo! As tentativa de brigar eram geralmente frustadas pelo olhar de inocente que me lançava, amolecendo na hora o coração. Mas aos poucos nos entendemos e logo de criança levada, ela passou a uma mocinha de educação primorosa, que arrancava elogios por onde passava.
Antes disso houve o pior momento de nossa vida em conjunto. Mesmo com todas as vacinas em dia, ela teve uma gastroenterite hemorrágica e ficou muito mal. Junto com ela, eu também fiquei, parte por medo de perdê-la, outra parte com o complexo de culpa por saber que provavelmente o meu trabalho havia exposto ela aquele risco. Lidando diariamente com animais doentes, mesmo com a assepsia recomendada, talvez eu tivesse carreado a ela aquele mal... Mas de todo mal se tira um proveito, apesar de três noites seguidas sem dormir, ela ficou boa, e nós duas mais unidas que nunca!
Hoje já se passaram nove anos, e compartilhamos bons e maus momentos juntas. Ela é agora uma senhora, já foi mãe e me tornou avó de cinco belos filhos, que hoje ocupam os corações de amigos nossos. O tempo não passou incólume por nós, Carol já não é a menina mais comportada da vizinhança, e por vezes rói um sapato, deixado por descuido ao seu alcance, e acha que o melhor lugar para babar, depois de beber água, é o tapete da sala. Os olhos castanhos que roubaram meu coração já apresentam a opacidade da velhice, e necessitam de cuidados diários com lágrimas artificiais. Mas para mim eles sempre serão aqueles de anos atrás, donos de um mistério insondável que nos fizeram companheiras nessa vida.
É por tudo isso que eu afirmo que essa cadela é, e sempre será, a melhor amiga desta mulher.
[Texto de: Quarta-feira, Janeiro 14, 2004]
On February 14 2009
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