"Eu me surpreendo indagando sobre a humanidade. Sua atitude para com a dádiva da minha irmã é tão estranha.
Porque temem as terras sem sol? É tão natural morrer quanto nascer.
Mas todos tem medo. Se apavoram. Debilmente tentam aplacar o seu toque. Eles não a amam.
Há milhares de anos ouvi uma canção em um sonho, uma canção de morte que a exaltava.
Eu ainda me lembro.
[i]'A morte está diante de mim hoje: como a recuperação de um doente, como a ida para um jardim após a enfermidade.
A morte está diante de mim hoje: como o odor da mirra, como se sentada sob um velame num bom vento.
A morte está diante de mim hoje: como a maldição de um ribeirão, como o retorno de um homem da guerra para a sua casa.
A morte está diante de mim hoje: como o lar que um homem anseia ver, após anos passados como cativo.'[/i]
Esse poeta desconhecido compreendeu as dádivas dela.
Minha irmã tem uma missão a cumprir, assim como eu. Os perpétuos têm responsabilidades.
Eu tenho responsabilidades."
-GAIMAN, Neil.
Retomei a leitura de Sandman por esses dias. Não me recordo de já ter terminado toda a HQ, então resolvi reler desde a primeira palavra.
Essa passagem aparece na 8ª edição, no arco Sandman: Terra dos Sonhos. Ela é relativamente conhecida dentre os admiradores do universo vertigo e, particularmente, uma que gosto muito. Ainda mais agora que tenho contato direto com tal assunto.
Bom, não posso dizer o que pensarei e/ou sentirei no exato momento da minha morte, mas agora o que eu penso vai de acordo com a música descrita. A morte é um degrau natural na vida de todo mundo; um "degrau" não necessariamente que leva a uma outra vida, reencarnação, "paraíso", o que quer que seja - pois não acredito nisso -, mas um degrau na vida que, obrigatoriamente, todos irão ter que passar um dia.
Portanto, por ser algo natural, é um pensamento no qual não me pego pensando com sentimento de medo - o único sentimento relacionado a isso no qual eu chego a pensar é em COMO eu irei morrer, único e exclusivamente por causa da dor, não da conseqüência.
Um adolescente bêbado acidentado de moto vem, um sequelado de AVC vai; uma parada cardiorespiratória vem, uma menina com um tiro no rosto por causa de ciúme do marido vai.
Acontece de tudo com todos. Aquele que mais se espera ir antes, às vezes irá ver casos mais simples tornar-se mais complicados e irreparáveis. Podendo morrer depois e/ou não.
Não há pra que temer, não há como fugir, a única atitude que se pode ter é tomar as precauções possíveis para que a "parada final" não seja tão sofrida.
X paciente estava no mesmo leito há meses.. sofrendo, gritando, chorando.. enquanto todos os outros seguiam a mesma contínua rotação.
Ontem foi a noite dele.
R., R.I.P
On December 26 2009
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