Coma
Coma!
Sirva-se de toda impossibilidade
desse meu estado semi-vegetativo
De todos os momentos em que não vejo não canto nem grito
E - fatalmente - não me escuto
nem sinto
muito
nada
Coma!
Enfastie-se com o gosto iminente de minha morte metálica
com o sabor acre da vida que - parece - perece
mas não abandona
Coma!
Vamos!
Coma!
Nutra-se de toda a esperança de todos de que tal fio tão fino de vida
que me ata a esse semi-possível estado não arrebente
esperança
que mantém vivo
mas que mata aos poucos
tanta esperança...
Espere!
...pelo que não vem
nem vai
On December 12 2009
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