¿No és muerto?

Hoje encontrei com o Ruga, menos conhecido como Rafael e que, em nossa saudosa adolescência metaleira, também atendia pela alcunha de Paulo e mais algumas dúzias de apelidos (pelo menos um novo por semana). Ele me abordou enquanto eu tomava um café na rodoviária:
— E aí, rapaz, quanto tempo.
— Ca-ra-lho, Ruga! Não te vejo há uns cinco anos.
— Seis. Estou há seis anos em Niterói, mas estou voltando. Você está no Rio, né?
— Não. Voltei também. Mas estou arrependido.
— Espera aí que vou pegar a ficha no caixa.
O Ruga foi ao caixa e me fez sentir bem comigo mesmo. Por um motivo fútil, confesso. Mas quem nunca teve seus momentos de superficialidade? Ele, o cara mais magro que já havia conhecido, o Seu Madruga (que foi posteriormente abreviado simplesmente para Ruga), estava mais gordo que eu! Ganhei o dia.
— Você dá aula agora, né? — Perguntou enquanto pedia um salgado qualquer e um refrigerante.
— É sim.
— Onde?
— Sou funcionário público. ¬— Respondi querendo desconversar. Quando se é um frustrado na vida, a última coisa de que se quer falar é do trabalho. Então ele lançou a pergunta fatídica:
— E a banda?
— ...
— Ainda está tocando?
— ...
— Ainda toca com os irmãos do Fernando?
— ... Há alguns meses que a música na minha vida se resume ao que está no meu ipod.
— Que pena, a banda era muito boa.
— É.
— E você, Ruga, o que está fazendo?
— Eu estou fazendo filho.


On December 02 2009 Edit







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