Sou do tipo que flerto com tímidos, que ri com os poetas e grita com os insanos. Bebo com os alcoólatras a sede dos nordestinos, enquanto te como com os olhos. Meus dentes serram com intuito tolo e quente de arrancar sua roupa com meu piscar de olhos. Choro com os não-amados, enquanto amo amigos e amantes, desde o âmago até o pior amargo.
Sinto como se poros fossem cavidades lunares, vulcânicas e oculares profundas e gigantesca. Pele que vê. Do frio das galáxias à incandescente lava das paixões proibidas. Sofro-me. E sobrevivo-me, como sempre se fez desde que o Homem decidiu não mais Ser e decidiu ser mais SI.
Falo com música e calo-me com suspiros. No meu olfato, o seu cheiro nunca é insípido. Da boca, sugo-lhe amor, palavra doce e língua quente. No sexo, rendo-me, talvez de modo rude, mas outrora casto. Da violência do seu amor acanhado. Cheiro desse gesto gasto, desse gosto gustativo, dessas paixões que perdem-se em perdões e penalidades. Nunca pensamentos, peraltices, permissões e permitidos proibidos. Ah, quem não ama um permitido proibido...Porque o proibido é mais gostoso, não é? Não que o permitido seja insosso. Nada disso.
Quero o livre. O livro. Abertos de páginas descoladas e deslocadas pelo tempo. Descoladas das suas intimidades mais profundas e deslocadas pela minha pele de poros que veem. Poros que veem o que acontece dentro dele. Pelo, pele, veias, sangue, vasos, flores.
O que me ilude me protege. Por isso que só vejo o que quero. Afinal, vejo por todos os poros nos meus olhos de cavidades lunares. Como só ver o que quero? Vejo tudo. Quase como crocodilo na superfície da água, observando seu mundo, sabendo a hora de atacar. Mas o que me mata, me renasce. E o que me cura, pode me matar.
Fico feliz por ainda respirar. E entres mudos loucos, folhas secas e um céu branco, toco meus próprios lábios. E descubro que posso, pois ainda sinto.
(Leonardo Freitas)
On February 13 2010
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