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Um dia ele entrou num bar, e a vida que tava do avesso deu um largo sorriso pra mim.
Ela me disse em alto e bom som: hei! Você ta viva e esse coração imenso não secou. A perna tremeu, a mão suou. Amor à primeira vista? Não sei. Mas quando almas se reencontram o corpo sente e a gente não precisa entender.
Senti a tranqüilidade de uma cidade do interior em plena Paulicélia. Joguei bolinha pra uma cadela que eu nem sabia que seria minha amiga por tanto tempo. Acolhi a menina no balde no meio do peito e senti saudades que nem eram minhas. Redescobri o decote, o riso bobo, a graça que pode ter uma terça nublada quando o coração ta quentinho. Pirei, não nego. Era tanta coisa engasgada, tanta vontade de viver tudo ao mesmo tempo agora, tanto ar pra respirar. E por não querer ficar só, sufoquei o tempo. Encostei o amor na parede.
Ouvi o não mais doído da vida. O não que me fez achar a mola, aquela no fundo. No fundo de mim. De uma Tati que eu já não sabia mais quem era e pra onde devia andar. Joguei fora o coturno, chorei por São Paulo, entrei em igrejas, incomodei minha mãe que via uma menina chorona no corpo de uma mulher que ela queria forte, brindei com a ruiva e a irmã. Tive a certeza de não querer mais brincar, de não querer mais esse vai e vem maluco. Vontade de entrar numa bolha. De pedir férias pro mundo.
Não entrei na tal bolha. A vida não pára e eu não poderia estacionar mais uma vez.
Tempo, sempre ele. Fiz desse mestre um grande amigo.
E ele operou o que parecia impossível. Me deu um SIM de um inesperado tamanho.
Aquele cara virou um grande amigo. Daqueles imensos mesmo, com cadeira cativa no coração. Ganhou o posto de anjo. A menina aprendeu a conviver com a mulher. O risquinho continua no olho, o coturno cedeu lugar a outras botas que passaram a trilhar novos caminhos, o decote é meu companheiro, as calças largas viraram exceção, aquela cadela vez ou outra dorme aqui em casa, a casa é colorida e linda, a foto do por do sol mora na minha sala, viramos vizinhos de fazenda. Cerca com cerca. Alma com alma. Cabe um abraço tão mais aconchegante que antes. Cabe tanta coisa. Cabe tanto sim. Cabe amor, sem paredes. Cabe torcer por novos amores na vida do outro e querer sempre o melhor, o mais feliz.

Parabéns, meu anjo!
Por cada dia nesse mundo louco.
Por cada vez que você busca a melhor solução pra tua vida.
Por cada passo nesse seu caminho rumo ao pote de ouro.
Você é o meu pior não e meu melhor sim.
Obrigada por ter voltado. Aqui vai ter sempre um espaço só teu.

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On September 07 2009 Edit






eterna__aprendiz

unknown - 06/07
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São Paulo, São Paulo, Brazil




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