MANIFESTO SOBRE O CAFÉ (Parte 2)
Olá velhos camaradas e desagradáveis filhos da mamãe.
Desde que me afastei de fato do Estúdio Caffeine (setembro de 2008) tive um imenso desprazer de ter que falar sobre os motivos disso, até porque eu já havia me libertado desse universo.
O café, no meu paladar, estava frio e mais do que requentado. Além do que, não gosto de dividir uma xícara com tantas pessoas, pessoas que não tem o costume de lavar as próprias bocas. De fato, as duas pessoas que convidei para serem meus sócios no Caffeine (luis e nerato, no mês de março/2006) corromperam velhos princípios que sustentavam a paixão minha e de outras pessoas de circularem e participarem das atividades do Caffeine. O lugar foi se tornando uma espécie de clube de interesses.
Meus dois ex-sócios em questão me disseram, na última negociação sobre bens e logo-marca, essas palavras: Você já era, você é passado!. Essa é uma história um pouco longa. E a primeira parte do Manifesto Sobre o Caffeine está no post da foto anterior. Então resumindo... Éramos o Julião e eu de um lado e o Luis e o Reato de outro. Eu propus a alteração do nome Caffeine para algum outro da escolha deles, porque considero justo, já que o Julião, o velho caffeine, nunca recebera nem mesmo um centavo desde o prometido (em março de 2006). Cheguei até a abrir mão do equipamento em troca de uma solução para a história do café. Mas outros olhos engordaram. Os caras não gostaram da proposta, e quiseram manter o nome Caffeine e os equipamentos do jeito que estava, praticamente sem fazer negócio algum. De fato tentaram empurrar a velha dívida com a barriga, como se fosse prestação de loja popular. E de fato não puderam nem mesmo cumprir com o novo prometido no prazo prometido, conforme o prometido, igual como foi a uns anos: o prometido e não cumprido.
Ambos os coffee-teens não tiveram culhões e maturidade para cumprir com o acordo, a dívida e a ética final sobre o negócio que fizemos. Depois pareceu mais fácil culpar a mim e ao Julião pelos problemas administrativos do Caffeine. Então nos acusaram de ladrões pela internet, criaram mentiras, contaram meia história e mobilizaram uma dúzia de bandas e colegas para ajudar a causa do Caffeine. Todavia nunca tiveram o culhão de colar aqui e me procurar na vizinhança onde muitos bem sabem onde eu moro. Aliás, nem me ligaram para me xingar. Bom, culhão é culhão, ou você tem ou você inventa um de aparências.
Sem falar na minha parcela no estúdio, que fora desvalorizada pelos dois caras a um valor ridículo, tipo uns 960,00 , não incluindo aqui os meus bens pessoais que se desgastaram durante o os três anos e meio de uso como a minha bateria Yamaha, microfones, o computador que gravou as bandas desde o Caffeine Pamplona, o amplificador Meteoro que vendi para pagar outras contas do estúdio já com o luis e o reanto de sócio. De fato os caras não pagaram um centavo ao Julião em dois anos de promessas e as novas promessas já se mostravam mentirosas depois de um mês de prazo expirado novamente. Um pouco antes ainda tive que escutar dos dois ingratos essa frase aqui: você é passado, marcio caffeine é passado. Inveja? Cobiça? Olho gordo? Cegueira? (Aos diabéticos lhes falta doçura na vida).
Então o Julião e eu pegamos o caminhão que vocês agora estão vendo na foto acima e recolhemos os nossos equipamentos na madrugada, no braço, na força, honradamente, e sem conversa mole, já que pagamos por eles com o dinheiro do nosso próprio sustento lá em 2005. Calote a vista? Nem na mão de malandro eu tomo um. Nem nos subúrbios da cidade, na alta madrugada, na vida de louco. De malaco das periferias eu nunca levei desaforo, ao contrário disso. E eu cresci lá, não foi em apartamento, não foi em Alphaville, não foi em bairro de classe média de mal-gosto, e não foi na saia da vovó. Meu chapa, eu cresci beirando favela, nos subúrbios violentos da Cidade Dutra durante os 80 e nunca, nunca mesmo eu tomei um tapa na cara ou levei desaforo de qualquer marginal da redondeza. Para o que quer que eu fosse fazer fora da minha rua eu atravessava as favelas 20 e a 21, eu morava na Eloy Epinger, você que é bem nerd procure no google maps. E me orgulho de não precisar ser rude ou paga-pau para dar e receber respeito. E depois de tanto rolê na veia, no final de 2008 tive que ouvir de grunges mimados e criados nos suvacos dos próprios sobrenomes me dizendo com arrogância de moleque desvirginado: você é passado, você já era.
E falando do baú do tempo, do passado, do que já era, nós que éramos, veja não era bem isso. Então sendo o que éramos, sem ser os mesmos, nós voltamos sendo. Voltamos das tumbas. E essa aqui é a segunda parte do Manifesto Sobre o Caffeine, a parte prática, e a explicação didática do que eu procurava dizer para algumas pessoas, mas mesmo querendo não podia, por me faltar talento na prosa ou coerência com o que andava fazendo em outros momentos. Continua...
On June 05 2009
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