E, no entanto, fostes embora levando minha face, minha mais genuína face. Deixaste-me apenas a tristeza de um corpo sem presença, sem dimensão ou razão. Negaste meu amavío, justo este que me era tão caro. Meu eu inexorável , tomastes de mim. Perdi-me. Estática circulo, confundo: vejo, não reconheço. É que levastes também meus olhos, logo eles que me alumiavam tão bela. Percebo-me exilada, adormecida, trágica. Esqueço na calmaria epifânica de um corpo sem corpo meus contornos de mortal estes que são tão teus. O que resta, por fim, é a certeza passional de que a procura é imprudência do abandono. Desdita procuro, na esperança de que eu, em ti, a mim retorne sempre.
On October 14 2009
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