Etudes e o Classicismo Dinamarquês

"Uma das muitas razões pelas quais Etudes (1948/52), de Harald Lander é tido num conceito tão alto e ainda mantem sua popularidade com o público dinamarquês é porque este foi o apenas o segundo “ballet-tutu” a entrar no repertório do Royal Danish Ballet, precedido singularmente por um outro ballet de Lander, Festpolonaise (1943). Até os dias de hoje, Etudes, de fatp, permanence o único trabalho dinamarquês baseado no classicismo do século XX, a obra primária para exibir e expor os bailarinos e a técnica destes. Apesar de um tanto incomum num repertório dominado por Bournonville e pelo trabalho narrativo - os personagens principais são chamados Ballerina, Prinsen e Soloherren (literalmente homens solistas), e não Victorine, Hans, ou Emil - Etudes é todavia reconhecido como um ballet com significado essentialmente Dinamarquês.

Em Paris, Etudes é considerada uma obra de assinatura do Ballet de l’Opéra de Paris. Após deixar a Dinamarca em 1952, Harald Lander remontou e recoreografou Etudes para a companhia francesa e, ao lado de Suite en Blanc (1943) de Serge Lifar, o ballet agora usufrui de um status com a Cia similar ao de The Sleeping Beauty do Royal Ballet e Serenade ou Symphony in C do New York City Ballet; alguns bons ‘connoisseurs’ sentem que Etudes simboliza o classicismo francês.

Ainda, tradicionalmente, Etudes foi recebido com menos entusiasmo na America; normalmente, ele também foi menos bem dançado. Educados, ilustrados e mimados pelos trabalhos de George Balanchine, os americanos ficaram acostumados a apreciar e valorar a coreografia e, de fato, a arte do ballet pelos padrões ditados pelo repertório de Balanchine. Arlene Croce dá a razão pelo fracasso de Etudes numa revisão de 1979 do Bolshoi Ballet (não que a companhia soviética dançasse Etudes; ela no entanto cede às mesmas »falácias patéticas« em sua obra Ballet School, de Messerer): ‘O ballet Etudes deveria ter provado de uma vez por todas que as formas clássicas tem uma coerência estrutural mas não é mais intrinsecamente dramático que as harmônicas séries numa música. O coreógrafo, Harald Lander, simplesmente iguala combinações de sala de aula com exercícios de piano de Czerny; o resultado é um maçante não-ballet’.

Então, o que é Etudes, um ballet dinamarquês, um ballet francês – ou de fato um não-ballet? A resposta é, claro, que ele pode ser muitas coisas, dependendo da montagem e da performance. Apesar de proximamente construído no mesmo texto, o Etudes do London Festival Ballet foi apelidado de »versão circo« oposto ao Etudes de Paris, o qual é o melhor; frio, difícil e brilhante. As performances do ABT em 1993 definitivamente foram do tipo circense. Etudes na Dinamarca, no entanto,é mais uma questão de família, uma experiência muito íntima; os bailarinos não forçam projeção, eles não competem ou exibem-se da forma frenética que você vê em outras companhias. De acordo com Henning Kronstam, que conhece o ballet intimamente de dançá-lo e montá-lo por mais de 20 anos, Etudes deve ser executado no melhor espírito do ‘puro estilo dinamarquês’, significando numa maneira simples, clara e discreta.

Então, por mais que Croce deteste Etudes, ela parece também ter perdido a intenção de todo ele; ele não é um ballet sinfônico, não é abstrato ou sem enredo e nunca pretendeu ser assim. Se alguém escolhe olhar para Etudes e julgá-lo como um Theme and Variations ruim, então, naturalmente, ele é terrível. Na maior parte você nem vê coreografia num sentido compositivo, em vez disso você tem a natural progressão de uma série de arranjos de exercícios acadêmicos, sala de aula e combinações. A teatralidade de Etudes foi dirimida ao longo dos anos – a venerável sala de ensaios decorada com bustos dos antigos mestres de ballet, Noverre, Galeotti e Bournonville foi substituída por uma palco - e possivelmente esta é uma das razões para confundirem-no com um ballet sem enredo. Tente imaginar esta cena: ‘Após uma pequena introdução musical, o palco se ilumina, revelando um grande e branco hall, iluminado por candelabros refletidos em espelhos causando a duplicação dos bustos de celebrados maitre de ballet. Lá está a Ballerina, que começa seu adágio. Depois de um tempo, dois bailarinos se unem a ela; finalmente, toda a companhia dança e executa o adágio, agora modificado pela solista’."

Por Alexander Meinertz

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On March 18 2010 Edit







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