Quadrinhos...Mutante X

[B]Revolução nos quadrinhos?


A Panini promete uma revolução editorial “na forma como se lê quadrinhos”. A notícia vem causando muita especulação entre leitores e profissionais da área, que tentam descobrir qual será a oitava maravilha prometida pela editora. Os maiores comentários são de que as revistas passarão a ser digitais e não mais em papel.

Para a editora, seria uma forma bem mais econômica de editar os títulos, pois aboliria de vez com os custos de impressão e papel, que são altíssimos. Para os leitores, possibilitaria a escolha somente dos títulos de interesse, evitando os atuais “mixes editoriais”: na compra do título de um determinado personagem, você leva mais dois ou três que não gosta. O custo para baixar as histórias também seria bem inferior ao preço pago hoje em banca. E resolveria também o problema de 10 entre 10 fãs de quadrinhos: onde armazenar sua coleção.

Aparentemente, tudo são flores, mas só aparentemente. A probabilidade dos quadrinhos migrarem de vez para a mídia digital é muito pequena, primeiro porque a exclusão digital ainda é grande. Segundo, porque o leitor brasileiro ainda tem preferência pelo manuseio da revista. A sensação de pegar, folhear na banca mesmo, ler no ônibus ou na fila do banco é predominante.

Sem contar que é mais prático: alguém aí imagina uma pessoa em pé, numa fila, com um laptop aberto? Ok, já existe o Kindle, leitor digital do tamanho de uma revista, que permite armazenar mais de 200 livros num mesmo aparelho. No entanto, o acesso a ele ainda é restrito e deve demorar um bom tempo a que seu uso se torne comum.

A questão virtual também traz outro problema: nada impediria de um leitor comprar a revista e repassar para seus amigos por email, gerando prejuízo certo nos cofres da editora. A Panini, hoje a maior editora de quadrinhos do País, não investiria numa estratégia com grande possibilidade de fracassar antes mesmo de começar.

Outra especulação é que as revistas seria vendidas por demanda, ou seja, só seriam enviadas para quem encomendasse. Também prejuízo na certa, uma vez que um título teria impressão de 5 mil exemplares, o outro 1 mil, o outro 350... Sem contar que a encomenda não é certeza de compra. Não é nada difícil um leitor fazer a encomenda e, quando a revista chegar na banca, ele não aparecer para comprar. Quem paga essa impressão?

Muitas outras hipóteses são discutidas nos fóruns e rodinhas de amigos. Alguns acreditam na redução de formato, voltando ao criticado “formatinho” utilizado pela Editora Abril. Outros afirmam que as grandes sagas serão publicadas completas, em encadernados. Ao invés de esperar seis meses e comprar várias edições para ler uma história completa, o leitor compraria uma única revista, mais cara e com papel melhor. Outros ainda, creem na expansão de títulos, com um único personagem, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos.

Particularmente, acredito tratar-se de uma jogada de marketing da editora. Mudanças, haverão, claro, uma vez que foram anunciadas. Mas nada tão “maravilhoso” como vêm dizendo. No máximo, o lançamento de novos títulos, alteração no número de páginas, melhoria na qualidade gráfica... algo que o mercado brasileiro aceitaria bem. Dizem que em time que está ganhando não se mexe. No máximo, há a troca de um jogador. Trocar o time inteiro, é condenar o jogo ao fracasso.


Novidades nesse sentido devem ser divulgadas em breve no site: http://web.hotsitepanini.com.br/wizmania

Contatos: 4allmagzine@gmail.com[/b]

On March 08 2010 Edit






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